A MG que conhecemos, a dos elétricos acessíveis que dominam os tops de vendas, vai ganhar um andar de cima. Chamam-se IM5 e IM6 (IM de “Intelligence in Motion”), são uma berlina executiva e um SUV coupé de quase cinco metros, e acabam de receber preços para a Alemanha com lançamento ainda em julho: o IM5 desde 53.990 euros, o IM6 desde 56.990. Não são MG como os outros: são a artilharia premium da SAIC, nascida de uma joint-venture com a Alibaba, e vêm à caça de um alvo específico — a Tesla, e os conterrâneos XPeng, Xiaomi e Zeekr.
O que trazem é, no papel, o pacote técnico mais avançado alguma vez vendido sob o octógono na Europa. Arquitetura de 800 volts (a primeira da marca por cá), bateria de 100 kWh, até 710 km WLTP de autonomia na berlina, e carregamento a 396 kW: dos 10 aos 80 por cento em cerca de 17 minutos, valores de Porsche Taycan a preço de Model 3 bem equipado. A versão de topo tem dois motores, 553 kW (751 cavalos) e faz os 0-100 em 3,2 segundos (3,5 no SUV). E o detalhe que os ensaios europeus mais elogiam nem é a força: é a direção às quatro rodas de série, que dá a estes gigantes de 4,9 metros um diâmetro de viragem de menos de 10 metros, coisa de utilitário citadino.
Por dentro, a receita chinesa moderna sem complexos: ecrã de 26,3 polegadas a comandar (quase) tudo, vidros duplos, teto panorâmico gigante, 20 altifalantes, bagageira de 665 litros e assistências apoiadas pela Momenta. As críticas europeias também já apontaram os custos desta modernidade: escassez de comandos físicos e um teto de vidro sem cortina. Os ex-clientes Tesla sentir-se-ão em casa; os tradicionalistas nem por isso.
E Portugal? A estratégia europeia responde a meio: ao contrário da China, a IM não será marca autónoma por cá. É uma família de modelos MG, vendida na rede MG existente. Traduzindo para o nosso mapa: quando chegarem, chegam aos concessionários que já conhecemos. O Reino Unido vendeu-os primeiro (desde 2025, sem tarifas da UE no caminho); a Alemanha estreia este mês; Espanha dá o anúncio como iminente; para Portugal não há data oficial, mas o padrão da marca cá tem sido seguir o mercado espanhol com poucos meses de intervalo. E há uma peça de xadrez maior a encaixar: a SAIC confirmou a construção da sua primeira fábrica europeia na Galiza, com 200 milhões de investimento e produção a partir de 2028. É a resposta estrutural às tarifas da UE, a três horas da fronteira portuguesa.
As perguntas para a comunidade: há por aí alguém disposto a pagar 55 mil euros por um MG, ou o valor da marca cá ainda mora abaixo dos 40? E a direção às quatro rodas num carro de 4,9 metros: gadget ou razão de compra?
