BYD 557 mil, Tesla 480 mil: a chinesa venceu o trimestre, mas a corrida inverteu-se — a Tesla teve o melhor segundo trimestre de sempre e o fosso encolheu para um terço

O segundo trimestre de 2026 era para ter sido a coroação tranquila da BYD como rainha mundial do elétrico — e meia imprensa internacional chegou a escrevê-lo, com base nas estimativas dos analistas que davam a Tesla nos 400 mil. Os números oficiais contaram outra história. A BYD entregou 557.090 elétricos puros e venceu o trimestre, sim; mas a Tesla reportou 480.126 — mais 74 mil do que o consenso previa, o seu melhor segundo trimestre de sempre, e sobretudo o primeiro crescimento homólogo desde 2023: mais 25 por cento do que há um ano, mais 34 do que no trimestre anterior. A fotografia dá a vitória à BYD; o filme mostra as duas a correr em sentidos opostos.

Porque os 557 mil da BYD, sendo enormes, representam uma queda de 8 por cento face ao mesmo período de 2025 — o mercado chinês ressentiu-se do fim da isenção fiscal aos elétricos no arranque do ano, e é a máquina exportadora (Europa incluída, como as nossas notícias das taxas e dos navios têm contado) que está a segurar o gigante. A Tesla fez o caminho inverso: depois de dois anos a encolher, os refrescamentos de gama, os cortes de preço e uma gasolina cara nos mercados-chave devolveram-lhe o fôlego. O resultado na tabela: o fosso entre as duas encolheu de mais de 220 mil carros para cerca de 77 mil num ano.

Portugal, curiosamente, é dos sítios onde a recuperação da Tesla se vê melhor: foi a marca 100% elétrica mais vendida do semestre por cá, com perto de 6.300 unidades e um crescimento acima dos 50 por cento — enquanto a BYD, terceira, trava a sua guerra pelo pódio nacional com uma gama que não pára de crescer. A corrida global tem tradução direta nos nossos concessionários.

O próximo episódio tem data: a 22 de julho a Tesla apresenta os resultados financeiros completos, onde se saberá quanto custou em margem esta ressurreição de volumes — porque entregar mais carros a preços cortados é vitória que também se paga. E fica a lição de ceticismo que serve para leitores e jornalistas: entre a estimativa e o número reportado foram 74 mil carros de diferença. Nós esperámos pelo documento oficial; parte das manchetes que andam por aí, não.

As perguntas para a caixa: esta Tesla ressuscitada mexe com as vossas escolhas — ou o barulho à volta da marca pesa mais do que os números? E a BYD a cair na China mas a crescer cá: sinal de força ou de dependência da Europa?