Transformar um dos desportivos mais leves do mercado num carro elétrico parece quase uma contradição. É exatamente esse o desafio que a Alpine está a preparar para a próxima geração do A110, e a marca francesa já garante ter encontrado uma solução pouco convencional para o resolver.
O peso será inevitavelmente superior ao do A110 a combustão, mas a Alpine está determinada a conter esse aumento, e, mais importante ainda, a controlar onde ficam concentrados esses quilos extra. Segundo a revista britânica Evo, que falou recentemente com Philippe Krief, presidente executivo da Alpine, o objetivo são cerca de 1.400 kg, um valor notável para um elétrico, ainda que bem acima dos 1.178 kg do A110 a combustão. A marca já garante ter os ingredientes para sustentar uma ambição forte: descreve o projeto como “o primeiro desportivo elétrico a sério”.
A solução técnica que quebra a receita habitual
A maior parte do peso adicional de qualquer elétrico vem da bateria, e é precisamente aí que a Alpine decidiu contrariar a abordagem mais comum da indústria. Em vez de instalar um único e grande pack de bateria sob o piso do habitáculo, como acontece na esmagadora maioria dos elétricos atuais, a marca vai dividir a bateria em dois conjuntos distintos: um maior sobre o eixo traseiro, outro menor na dianteira. O objetivo é duplo: manter uma distribuição de peso próxima da relação 40:60 do A110 a combustão, e preservar uma posição de condução tão baixa quanto possível, algo que seria muito mais difícil de alcançar com toda a bateria concentrada debaixo do habitáculo.
O resto da ficha técnica confirma o investimento sério por trás deste projeto: uma nova plataforma desenvolvida especificamente para desportivos elétricos, com uma secção central em alumínio extrudido, arquitetura elétrica de 800 volts, tecnologia cell-to-pack, que já explicámos aqui a propósito de outros modelos recentes, e dois motores integrados no eixo traseiro. A isto soma-se um sistema avançado de vetorização de binário, capaz de fazer ajustes a cada 10 milissegundos, o mesmo tipo de resposta ultrarrápida que já vimos noutros contextos de gestão eletrónica de tração.
O ceticismo já não faz tanto sentido como fazia há uns anos
A ideia de um desportivo elétrico genuinamente divertido de conduzir já deixou de ser hipotética: o Porsche Taycan e o Hyundai Ioniq 5 N já provaram, na prática, que um elétrico pode oferecer sensações de condução comparáveis às de um desportivo a combustão. A diferença que a Alpine procura agora é levar essa promessa a um segmento ainda mais exigente em termos de peso e agilidade, o dos desportivos leves e compactos, onde cada quilo pesa proporcionalmente mais na experiência final de condução.
Para já, o que existe é apenas uma “mula de testes” a validar estas soluções, sem valores oficiais confirmados nem data de revelação anunciada. Mas o conjunto de decisões de engenharia já reveladas sugere um projeto pensado com cuidado, e não apenas uma adaptação apressada de uma plataforma elétrica genérica a um nome histórico da marca.
Fontes: Razão Automóvel, Evo.
